Dia do Consumidor

O dia 15 de março marca uma data muito importante, pois é lembrado o dia do Consumidor. É interessante observar como tudo tem sido conduzido a levar o ser humano a um comportamento de compras, inclusive no próprio dia do consumidor.

Há uma semana que vejo anúncios na TV e nas lojas com informações do tipo “aproveite esta promoção pelo dia do consumidor”. Esta data não deveria ser lembrada como data comemorativa, pois a natureza dela não é. Tanto, que o PROCON divulga neste dia a relação das empresas mais reclamadas no ano anterior. Isso sim, é uma informação relevante e pertinente ao Dia do Consumidor.

Penso que nesta linha as campanhas deveriam ser voltadas à práticas educativas do tipo “Consumo Consciente” ou “Introdução ao Código de Defesa do Consumidor”. O que há para se comemorar nesta data?

É verdade que desde que a lei de proteção ao consumidor foi aprovada em 1990, tivemos avanços absurdos nesta ordem. No entanto, se pararmos um pouquinho para pensar na relação custo benefícios entre produtos/serviços e o consumidor, verificaremos um atraso absurdo do ponto de vista de relações justas e satisfatórias.

Contundo, o objetivo principal deste texto é sensibilizar as pessoas que mais importante que os presentes, as marcas, os rótulos estão as relações humanas.

Se pararmos um minutinho para pensar sobre os momentos realmente importantes na nossa vida, os objetos pelos quais alimentamos carinho genuíno, o seu valor não é medido em cifrões, mas por sua simbologia em si. Por isso, um simples chaveiro se torna especial, quando pensamos que a pessoa teve a delicadeza de lembrar-nos em suas férias.

Quem não tem uma caixa de lembranças cheias de histórias: cartinhas, cartões, colares, figurinhas. Uma infinidade de símbolos que são especiais, não pelo que são em si, mas o que representam em nossa vida.

Coisas são apenas coisas e muitas vezes por causa da falta de tempo, vamos substituindo nossas relações por objetos. Por exemplo, quando brincamos de “Amigo Secreto”, é comum as pessoas substituírem aquela sensação gostosa de pensar na sorte de ter tirado aquela pessoa, sobre o papel que ela representa no nossa vida, de imaginar a felicidade no dia da revelação por um sentimento de “espero que o presente que eu vá ganhar tenha o custo (financeiro) compatível com o que vou gastar”. Ou seja, deixa-se de pensar no ser (a pessoa) para investir toda a energia no ter (objeto).

Muitas relações tem se construído no vazio. E este vazio é que tem levado tantas pessoas aos consultórios de psicologia em busca de um sentido a sua vida. Em busca de autoconhecimento.

Em busca de ser acolhido e compreendido. Quanto vale ser abraçado por quem se ama? Quanto vale a companhia de um amigo para uma boa conversa? Quanto vale o beijo dos pais na testa antes de ir dormir? Quanto vale ler um bom livro, assistir a um bom filme ou ouvir uma boa música? Quanto vale? As coisas preciosas que nos preenchem por dentro, que nos fazem sentir únicos e especiais não estão à venda. Portanto, não vamos transformar este dia, em mais um dia de consumo.

Vamos cuidar do que realmente é valioso na nossa vida.

Para finalizar, te desafio a fazer um gesto de carinho por alguém que é importante para você.

Depois vem aqui e me conta.